Manoel de Barros: A poética do inútil | Classe Literária
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- 13 de set. de 2019
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Manoel de Barros, um grande símbolo da literatura brasileira. Nascido em 1916, Manoel deixou seu legado e sua poesia durante toda a sua vida. Ele afirmava que começou a escrever muito cedo, que o seu primeiro poema foi aos 13 anos quando escreveu:
"Aquele morro bem que entorta a bunda da paisagem
—Disse ao olhar o Pantanal, onde morou, para os longes da Bolívia."
Com toda sua poesia, ele afirmava ser inútil, gostar do ser inútil e fez disso seu ócio.
"Ficar atoa é eu ficar à disposição da poesia ... Aí que eu posso ser o vagabundo profissional que eu sou agora"
Manoel passou 10 anos com a mulher no pantanal e 10 anos depois conseguiu com que a Fazenda desse lucro o suficiente para comprar o ócio, sendo assim, possuiu tempo para ser inútil, ou melhor, poeta. Qual o motivo do inútil fazer poesia e não crochê? Respondo com as palavras próprio poeta:
"Porque o inútil só presta pra isso mesmo, pra poesia. Não presto mais pra nada não, eu presto pra poesia. É como um traste, como uma coisa inútil mesmo que tá jogada por aí."
A maneira com que poeta enxerga e expressa isso, chega a se tornar uma sátira ao famoso dizer popular da sociedade quando dizem que poetas e artistas são inúteis, vagabundos, entre outros. Manoel de Barros assumia o título, chegou a dar o nome do espaço em que escrevia de "Lugar de ser inútil". Como profissão, o poeta dizia que após comprar o ócio pôde se tornar vagabundo profissional

Manoel de Barros é libertador. Enxergar os objetos além de sua função natural. Uma mesa pode apoiar muitos objetos e o sofá pode confortar muitas pessoas, mas num poema, numa poesia... A mesa e o sofá possuem uma infinidade de funções, metáforas e expressões. Manoel de Barros expõe essa visão ao escrever:
"As coisas não querem mais ser vistas por pessoas razoáveis. Elas desejam ser olhadas de azul"
Abílio, seu irmão, disse que Manoel nasceu com uma disfunção, uma disfunção lírica afetiva. Disse que o irmão talvez fosse o último poeta em tempo integral.
Ao ser perguntado em um entrevista qual o lugar que a poesia ocupava em sua vida, Manoel respondeu:
"Todos os lugares. Não sei fazer mais nada. Quer dizer, sei abrir a porta, puxar a válvula, apontar o lápis, comprar pão às 6 da tarde. Essas coisas."
Por mais de 70 anos ele só deu entrevistas por escrito. Reza a lenda que um entrevistador de TV já o ofereceu um carro 0 km em troca de uma entrevista ao vivo.
Manoel de Barros, um grande poeta que faz parte de nossa história e foi o escolhido para estrear a coluna Grandes Nomes da Literatura. Encerro essa matéria com uma frase do poeta.
"Poesia a gente não descreve, a gente descobre" — Manoel de barros
Até a próxima! Beijos do Classe Literária.








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